E se eu pedisse a quem me conhece para me desenhar um caminho?
Provavelmente teria algumas ortigas, bravas e ávidas a despontar em qualquer lugar e prontas para arranhar quem por elas passasse. Em todos os caminhos existem ortigas e ervas daninhas, as danadas.
Poderia ser de terra batida, onde ficariam vincadas as marcas de cada passo dado.
Poderia ter muitas curvas sepenteadas para dobrar e bermas de montes escarpados para subir, onde brotam as estevas. Os caminhos assim valem a pena serem percorridos, só para sentir o cheiro da esteva em cada início do tempo ameno.
Poderia passar por campos verdejantes, salpicados de papoilas e madressilvas.
Poderia passar por um descampado inóspito e seco. Não importava, seria um caminho para percorrer até ao fim. Nesse caminho eu poderia parar para descansar e ouvir o silêncio, mas não me sentaria por muito tempo. Um caminho desses seria para seguir sempre em frente, descobrindo-o de cara levantada, mesmo sendo duro e árido. Quem sabe se no fim desse caminho desenhado não haveria um pequeno oásis, líquido, verdejante e fresco!
Poderia ser um caminho cheio de pó levantado pelo vento. E poderia ter muitas pedras duras no chão, aquelas que magoam os pés em cada passo dado em frente, às quais não é possível o desvio, que escaldam no tempo quente ou que congelem no tempo frio. Os caminhos são assim, não há caminhos sem pedras, são como a vida.
Eu não posso imaginar o traço desse caminho que me desenhassem. Cada um desenharia o seu, colado à sua inspiração. Não posso imaginar que cores lá seriam salpicadas e quais os cenários estampados, mas gostava tanto que este caminho passasse ao pé do mar, pertinho, porque mesmo que eu não o conseguisse alcançar, nem com a mão ou o olhar, pelo menos poderia sentir a maresia fresca quando o vento soprasse.

6 comentários:
Quais traços, quais cores, qual imaginação. O caminho é o caminho da alma, do coração, daquilo que realmente sentimos, por ele seguimos, por ele nos perdemos, por ele nos reencontramos, às vezes com as cores do arco iris, às vezes a preto e branco...o caminho é teu, com curvas, rectas, perpendiculares, paralelas, o que seja, segue o que o coração e a alma te pedem e serás feliz... não importa o caminho o desenho nem as cores que nele estão...
Para abrir novos caminhos, temos que inventar, experimentar, crescer, correr riscos, romper com regras, enganarmo-nos... mas principalmente deixar-nos ir no sentido que o nosso coração nos indicar para depois muito nos divertirmos.
não percebeste anónimo....eu sei bem qual é o meu caminho, sei por onde vou e quero seguir, por onde sigo com a alma e o coração como sempre o fiz.Com toda a minha verdade e desejo de ser melhor.
Eu não falei em abrir novos caminhos, apesar de saber que todos os dias sou chamada a isso, e faço-o, é assim que cresço. Falei em desenhos ..em cores..em traços, aqueles com os quais todos nós temos uma maneira diferente da interpretar o caminho e de nos revelarmos.
Eu não sei desenhar....só sei caminhar.Com a alma e o coração
Só por curiosidade, ele já entregou o desenho?
Estou inocente, embora deva confessar que me cai que nem uma luva...
Ao anónimo curioso informo que não, ainda ninguém me deu entregou o desenho. Talvez porque elas ou eles que me conhecem muito bem também não sabem desenhar.
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