segunda-feira, 30 de junho de 2008

Como quem num dia de verão

abre uma porta...

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa

E espreita para o calor dos campos com a cara toda,


Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa

Na cara dos meus sentidos,


E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber

Não sei bem como nem o quê...


Mas quem me mandou a mim querer perceber?

Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara

A mão leve e quente da sua brisa,


Só tenho que sentir agrado porque é brisa

Ou que sentir desagrado porque é quente,


E de qualquer maneira que eu o sinta,

Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

Alberto Caeiro

1 comentário:

Sakura disse...

Nunca tinha visto este poema de Alberto Caeiro. No entanto é o meu preferido!
É simplemente de Alberto Caeiro!