quarta-feira, 14 de maio de 2008
Honra
Versos certeiros de Camões que foram partilhados por muitos durante a semana que passou:
E ponde na cobiça um freio duro,
E na ambição também, que indignamente
Tomais mil vezes, e no torpe e escuro
Vício da tirania infame e urgente;
Porque essas honras vãs, esse ouro puro,
Verdadeiro valor não dão à gente:
Melhor é merecê-los sem os ter,
Que possuí-los sem os merecer.
Ou dai na paz as leis iguais, constantes,
Que aos grandes não dêem o dos pequenos,
Ou vos vesti nas armas rutilantes,
Contra a lei dos imigos Sarracenos:
Fareis os Reinos grandes e possantes,
E todos tereis mais e nenhum menos:
Possuireis riquezas merecidas,
Com as honras que ilustram tanto as vidas.
E fareis claro o Rei que tanto amais,
Agora cos conselhos bem cuidados,
Agora co as espadas, que imortais
Vos farão, como os vossos já passados.
Impossibilidades não façais,
Que quem quis, sempre pôde; e numerados
Sereis entre os Heróis esclarecidos
E nesta «Ilha de Vénus» recebidos.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
terça-feira, 6 de maio de 2008
Esteva

O encanto e a força de uma das flores mais bonitas da natureza!
Gosto de acreditar que as suas cinco pintas impressas nas pétalas brancas e trémulas se assemelham aos nossos cinco sentidos...
São flores que atraem as abelhas mas que também ajudam a cerva a dar mais leite à cria. Flores que gerarão as cápsulas que irão ajudar a fazer do cervato o veado de amanhã.
O senhor da serra e das várzeas, cujo berro da brama encherá os vales no Setembro próximo! Da esteva, da modesta e pobre esteva, brotou toda a esperança...
Que, a pouco e pouco, perserverante, com uma vontade inquebrável, nascendo às vezes nos intervalos das rochas, rasgando chão por entre as fendas dos xistos, consegue sobreviver.
Depois instalar-se e, finalmente, cobrir encostas e encostas outrora deixadas nuas pelo abuso dos homens. E o aroma vigoroso do seu ládano passa a encher de Verão as noites quentes. E as magras folhas, cobertas de goma, resistindo ao calor do Sol, criam, a pouco e pouco, sombra.
Onde nasce tojo, rosmaninho, pilriteiro, aqui e ali catapereiro, silvados e um conjunto sucessivo de arbustos onde os pássaros fazem ninho. Onde o coelho se furta das vistas de uma águia.
Onde a perdiz refugia os perdigotos que escapam assim de morrer desidratados
