sobretudo, dos meus filhos
de dar
de amar
de sonhar acordada
de tirar o relógio
do mar, e de todos os seus humores
do seu sal, do iodo
de me embalar nas ondas do mar
do sol quando me acorda de mansinho de manhã
e sempre que me aquece a pele e a alma
de me estender na areia
de estrear os caminhos da areia lisa
do encanto da lua cheia
do céu azul
da chuva suave que lava
do vento que areja e solta
de gostar de mim
e que gostem de mim
de fazer
de ser e acontecer
de aprender a compreender
de olhar nos olhos do outro
de dar a mão ao outro
de acolher a diferença do outro
de passear de mão dada
de colo e de dar colo
do braço dado
do abraço forte
de me aninhar, dar e receber festas
de pessoas com sentido de humor
de silêncios consentidos e cúmplices
de sorrisos e olhares mensageiros
de dar os “bons dias” a quem conheço e
a quem não conheço
de ver os outros rir
de me escangalhar em gargalhadas
de conversar muito sem olhar para o relógio
do encanto da lareira acesa, o seu cheiro e o fogo que crepita
de tirar fotografias. A tudo e a nada
De Lisboa e do rio Tejo
De ouvir música deitada
de ler estendida
de poesia
de escrever
de dançar
da minha pele
de velas acesas. Muitas!
de chá de limão
de flores, todas as flores
da cama feita de lavado
que me aconcheguem a roupa
de me enrolar numa botija quente quando está frio
de pisar a relva molhada
da sombra das árvores
do cheiro da relva cortada
de guiar sem destino
do sonho
do futuro
de acreditar
do silêncio
da Palavra
da humildade
da gratuitidade
da tolerância
da generosidade
da verdade
DA VIDA!
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1 comentário:
Muito bonito.
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