terça-feira, 17 de julho de 2007

Colhe o dia

(foto Maramar)


Uns, com os olhos postos no passado,

Vêem o que não vêem: outros, fitos

Os mesmos olhos no futuro, vêem

O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —

A segurança nossa? Este é o dia,

Esta é a hora, este o momento, isto

É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora

Que nos confessa nulos.

No mesmo hausto

Em que vivemos, morreremos.

Colhe o dia, porque és ele.

Ricardo Reis

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Irish wonder

Desperdício

(foto Maramar)
Quando não vês as manhãs claras que anunciam
O renascer do que ontem ficou
Quando não já ouves os gritos que ecoam
Dos pássaros que ouvem o que não podes

Quando já não sentes o aroma que deixou
Aquele momento que já passou
Quando deixaste de procurar o calor
Da hora que viveste e não voltou

Quando já te esqueceste de sorrir
Porque a tua vida se fechou
A um longo silêncio se abandonou
Numa sombra se embrulhou e assim ficou

Quando já não lembras o que te abarcou
À tua alma e a quem te amou
Quando já nada sequer te importou
Porque o teu ensejo se desbotou

terça-feira, 10 de julho de 2007

Sometimes we cry

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Flores


(foto Maramar)
Era preciso agradecer às flores

Terem guardado em si,

Límpida e pura,

Aquela promessa antiga

De uma manhã futura


Sophia M. Breyner


quinta-feira, 5 de julho de 2007

Let's dance?

I'm in the mood...



quarta-feira, 4 de julho de 2007

Chega...

(foto Maramar)
Chega uma palavra
Uma só, mas que seja tua
Não do que ouviste, ou fizeste
Mas uma palavra para mim,
Que seja tua

Exultada, transparente, líquida
Despojada, tudo me conta
Despida, tanto me explica
Do que me visto neste absurdo

Não preciso de um discurso
Não procuro um manifesto
Só peço uma palavra tua
Que me sopre de tudo o resto

Para que tudo o que eu aperto,
Para que tudo o que não arredo
Encaixe no filme que me sobra
E o que há-de vir me pareça certo.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Sweet thing




And I will stroll the merry way
And jump the hedges first
And I will drink the clear
Clean water for to quench my thirst
And I shall watch the ferry-boats
And they'll get high
On a bluer ocean
Against tomorrow's sky
And I will never grow so old again
And I will walk and talk
In gardens all wet with rain
Oh sweet thing, sweet thing
My, my, my, my, my sweet thing
And I shall drive my chariot
Down your streets and cry
'Hey, it's me, I'm dynamite
And I don't know why'
And you shall take me strongly
In your arms again
And I will not remember
That I even felt the pain.
We shall walk and talk
In gardens all misty and wet with rain
And I will never, never, never
Grow so old again.

Oh sweet thing, sweet thing
My, my, my, my, my sweet thing
And I will raise my hand up
Into the night time sky
And count the stars
That's shining in your eye
Just to dig it all an' not to wonder
That's just fine
And I'll be satisfied
Not to read in between the lines
And I will walk and talk
In gardens all wet with rain
And I will never, ever, ever, ever
Grow so old again.
Oh sweet thing, sweet thing
Sugar-baby with your champagne eyes
And your saint-like smile....

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Alfacinha de gema

(foto Maramar)
Numa altura em que muito se fala da cidade das 7 colinas, se discutem os seus vícios e desencantamentos, nestes dias em que a classe política lisboeta se desdobra para encontrar os piores defeitos que a cidade tem, deixo aqui um registo da cidade mais bonita que conheço.
Não me parece que exista pelos quatro cantos do mundo, e sobretudo para uma alfacinha como eu, melhor maneira para entrar e descobrir a cidade como esta que fazemos quando entramos em Lisboa pelo sul, seja por terra, ar ou mar. Esbanjada à nossa frente, cidade branca, repleta de luz. A qualquer hora do dia ou estação do ano. Esta vista de Lisboa é sempre deslumbrante!