sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O que fazes?

(foto Maramar)
O que fazes quando a estrada te apresenta caminhos escuros e sem sinais de luz?

À falta de sentido de orientação junta-se uma cegueira que te fecha os olhos a tudo o que te rodeia e vais tacteando, apalpando o terreno aos encontrões, cambaleando pelo meio dos trilhos que consegues desvendar no meio do denso nevoeiro levantado pelo desalento e frustração.
São sonhos desfeitos, fruto deste tempo alucinado, preenchido de ritmos descompassados e descontrolados. Dias iguais, todos com a mesma cor, com os mesmos sons e ritmos. Nenhum sinal ou rosto diferente. Nada de novo.
O que fazes para mudar os dias?
O que fazes para recuperar a confiança esquecida no meio de um vazio pesado que vai crescendo, inchando, tal qual como um balão sem gás que fica por terra, sem poder subir ao céu? Acaba por secar, enrugado e deformado.
Que passos percorres na estrada seca que te conduz? E de onde vem essa estrada? Para onde segue? Com que sentido? Durante quanto tempo? E que tempo?
Por muita água que bebas, não é ela que te mata a sede.

Só a esperança te trará um dia diferente, uma hora aproveitada, um minuto ganho, sem o perderes. Essa nunca te larga. É verde, de um verde forte e alegre, raiado de luz prateada, como o mar ao entardecer.

2 comentários:

Anónimo disse...

Quando os caminhos são escuros e não há sinais de luz temos que aprender a aproveitar todas as "faíscas" (às vezes há pequeninas coisas a que não damos atenção e que bem aproveitadas até nos podem ajudar a encher a alma) até a luz voltar a aparecer,porque vai voltar a aparecer,demore muito ou pouco,venha ela como vier. E temos que estar com os olhos abertos quando ela voltar.
Beijinhos.

maramar disse...

Sempre tive os olhos bem abertos para a vida, mas nem sempre ela me acompanhou nessa aventura. As faíscas acontecem quando menos esperamos. Os caminhos escuros sempre me acompanharam durante a vida e sempre tive força para os sobreviver. Quanto às faíscas, só tenho pena das que acontecem para nos agredir e não para nos dar força.