quinta-feira, 28 de junho de 2007

meia hora por dia

(foto Maramar)




Nada melhor do que uma criança de oito anos ávida de atenção permanente, carinho e motivação para que tenhamos de fazer parar o ritmo acelerado do dia, atestado a cada minuto em (des) quefazeres e abrandarmos o passo. O nosso movimento e “estar” passa a ser entregue ao próprio tempo e ritmo da criança. Coisa fantástica!

No caminho entre a escola e o chegar a casa, um “desvio” de meia hora passou a ser rotina. Basta isso. Só meia hora. Toda ela dedicada ao sabor da vontade. Lanchar num jardim, correr pela relva fora, comer um gelado à beira-rio, ou simplesmente sentar-se num banco e deixar a conversa correr. Porque nunca faltam assuntos de conversa. Sobre as aulas, sobre a ferida no pé que ficou do jogo de futebol, sobre a proeza feita na aula de ginástica que ninguém conseguiu igualar.

Também não faltam os intermináveis porquês de quem tem a curiosidade à flor da pele. Tudo o que o rodeia é motivo para questionar. Tanta coisa por descobrir!...e que nunca reparamos durante a fúria dos dias!


E durante essa meia hora damos por nós a viver a vida, em vez de a sobreviver.




terça-feira, 26 de junho de 2007

Richard Bach

(foto Maramar)
Começarás a aproximar-te do Paraíso no momento em que alcançares a velocidade perfeita. E isso não é voar a mil e quinhentos quilómetros à hora, nem a um milhão e quinhentos mil, nem voar à velocidade da luz. Porque nenhum número é um limite e a perfeição não tem limites. A velocidade perfeita, meu filho, é estar ali.

Desde que o desejes, podes ir a qualquer lugar e em qualquer momento,(...)As gaivotas que desprezam a perfeição por amor ao movimento não chegam a parte alguma, devagar. As que ignoram o movimento por amor à perfeição chegam a toda a parte, instantâneamente. Lembra-te Fernão, o Paraíso não é um lugar nem um tempo, porque lugar e tempo não significam nada.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

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Autárquicas de Lisboa

domingo, 24 de junho de 2007

Mummy

sexta-feira, 22 de junho de 2007

segunda-feira, 18 de junho de 2007

For days like this

Foi prometido!

sábado, 16 de junho de 2007

ao meu pai

Faria hoje 78 anos.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Mas se chover...como se diz por aí...

Desafio todos a um karaoke...dá para pequenos e graúdos

Preparados para o fim de semana?

Eu não vou beber nescafé, mas um café na praia não me vai escapar...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

De noite recordou

(foto Maramar)
A braços com a noite
Mais teimosa do que escura,
Passa-lhe de novo o filme escorrido
do passado que abafou

São películas antigas, esmagadas,
Por entender e desagasalhadas
Numa gaveta aferrolhada
Que nunca mais abriu, desencantada

E só a noite a acompanha
Nesta conversa tão estranha
O filme passa, teimoso recorda
As lembranças que não quer evocar

E porque é que só a noite
Tudo isto a vai lembrando?
Diz-lhe noite, se puderes
O que se faz para resolver
Tanta coisa por entender?

De criança só se lembra
Dos desencontros em que cresceu
E ainda hoje não se esqueceu
De cada choro que escondeu

Diz-lhe noite, já que teimas
Nessa conversa atormentada
Que anjo foi que a guardou
E nesses dias a aconchegou?

Porque tudo o que deu e encontrou
Foi porque amou e se entregou
E porque o que tinha, tudo deu
O que não deu, não reparou

E foi assim que aqui chegou
De corpo e alma se esbanjou
Tudo o que ficou e o que restou
Daquela gaveta que trancou

E se mais não dá, ou se não deu
E se mais não faz, ou se não fez,
Foi porque de noite recordou
Tanta coisa que não conheceu!

terça-feira, 12 de junho de 2007

De que vale correr assim
Numa corrida sem beira
Toda a hora num frenesim
Até a vida nos saber a poeira

E somos gente mesmo assim...

O dia começa desaforado
Temos pressa de o ver acabado
Iludidos, tontos, em atropelos
Deixamos para depois os nossos zelos

E somos gente mesmo assim...

E de esgar assomado, apressado
E acelerado, nem damos conta
Que afinal a vida nos passa ao lado
E quem nos chama, não nos encontra

E somos gente mesmo assim...

E estafados continuamos
A desbravar o nosso caminho
Tão teimosos, nem reparamos
Nesse trilho está o nosso engano!

E somos gente mesmo assim...

E em tornado permanente
A nossa vida segue em frente
Tão depressa, é extraordinário
Parar não consta do vocabulário

E somos gente mesmo assim...

Quando no meio do frenesim
Recordamos a paixão
O motivo e a razão
Que nos faz correr assim!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Somos incorrígiveis, os portugueses...

Último dia da feira do livro. Completamente enganada, achava que só acabava na 4ª feira dia 13. Quando me disseram que era o último dia, já passava das 10h da noite. Disparei rumo ao parque e tive uma hora de correria pelas bancas para encontrar o que queria. Mas enchi as minhas medidas.... Tudo ao desbarato! As editoras só queriam ver-se livre dos livros para não terem de os empacotar no dia seguinte. Vim de lá carregada e a carteira não se queixou muito.
Afinal o "tarde e a más horas" compensa!

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Ouço-os de todo o lado,
Eu é que sou assim,
Eu é que sou assado,
Eu é que sou um anjo revoltado
Eu é que não tenho santidade...

Quando, afinal, ninguém põe nos ombros a capa da Humildade,
E VEM!

Miguel Torga, Diário I

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Mafalda e o mar

terça-feira, 5 de junho de 2007

Uma manhã no Sapal

(foto Maramar)
Páscoa passada no Sapal.
A calma serena e mansa daquele lugar era um frasco de tranquilizante para quem procurava uns dias de repouso, fora do vício ansioso do movimento e da loucura da grande cidade. Um lugar para onde regressava sempre com grande expectativa e de onde partia com imensas saudades.
O contraste que a casa pequena fazia com a imensidão de espaço verde e tranquilo do seu exterior fazia-a sempre sentir assim: Que precisava de sair para fora daquelas quatro paredes. Mesmo que o tempo não convidasse. Foi o que lhe aconteceu naquela manhã, que madrugara triste e cinzenta.
O céu azul acinzentado estava coberto de grandes nuvens brancas, de aspecto fofo e espesso, pareciam quase rama de algodão doce. O sol, quando aparecia envergonhado através das pequenas gretas que elas autorizavam, era morno e acolhedor. Mas rapidamente era obrigado a esconder-se.
Sentou-se numa das cadeiras que lá estavam fora desde a véspera, fechou os olhos e apurou os sentidos. O cantarolar dos pardais e das andorinhas compunham um espantoso concerto, bastava concentrar o ouvido. De vez em quando passava a sua amiga cegonha a rasar o voo baixinho mesmo ali ao pé dela, asas abertas e esticadas, solta, livre e ao sabor do vento....a felizarda! E o sol, sempre que podia, aquecia-lhe o rosto e a alma.
As garças saltitavam pelo pasto mesmo ao pé da romãzeira, nas traseiras da casa. Pareciam perdidas, atarantadas, de pescoço levantado. Estavam certamente à procura das vacas. Mas essas naquela manhã estavam do outro lado do rio. Bichos enormes e pachorrentos aquelas vacas! Naquele ano nem havia vitelos, eram umas 8 ou 10 enormes, colossais, umas todas castanhas, outras malhadas de branco, gordas e anafadas pelo farto pasto que cobria o Sapal de verde naquele ano.
Uma asa delta ao longe cruzava voos no céu, dando voltas e reviravoltas num grande alvoroço sem motivo aparente, porque o vento nem sequer soprava muito forte. Estranho...nunca tinha visto um voo tão agitado. Depois percebeu porquê. Numa das suas voltas, fez uma curva mais larga e de repente baixou a altitude lançando-se num voo alucinante, rasado e directo mesmo por cima do lago dos flamingos. Certamente assustados com aquelas asas imensas, largas e coloridas, levantaram voo todos ao mesmo tempo, formando no céu uma nuvem de salpicos brancos e agitados. Perante este cenário, só lhe faltava o soundtrack do “Out of Africa” para que tudo fosse perfeito.
A casa continuava adormecida e o filme de desenhos animados de um qualquer canal espanhol que o seu filho mais novo via na televisão devia ser interessante, porque ele continuava lá preso e entretido. Decidiu dar uma volta pelo Sapal e esticar as pernas. Estava ainda de roupão, mas isso não importava. A vantagem de não ter vizinhos, a não ser as vacas a pastar ao longe, os pombos e as andorinhas que voavam em bandos. Lá ao fundo, à beirinha do portão despontavam grandes buchos de jarros selvagens e prometeu a si mesma que levaria um ramo deles para Lisboa. Já meio do pequeno passeio deu-se conta da beleza dos arbustos selvagens por onde passava. Começou a apanhar espigas, depois mais à frente encontrou um arbusto que tinha umas ramagens salpicadas de pequeníssimas flores que iam do verde ao laranja. Depois outros diferentes mais ao lado. Mais à frente outra espécie, mais bonito ainda. Lindos! Foi apanhando deliciada, e em pouco tempo juntou um ramo tão grande que já não cabia no abraço da mão. Voltou para casa satisfeita com o seu ramo de flores silvestres e teve pena de não saber os nomes de cada uma delas. O ramo era tão bonito ....e já o imagina numa jarra em Lisboa. Um cheirinho daquela calma verde e morna do Sapal.
Quando entrou pela porta e mostrou animada o trofeu ao seu filho, ele desviou o olhar e encolheu os ombros desinteressado. «Ervas! Para que é que a mãe quer isso?»
Ainda pensou em explicar-lhe que todas as flores são bonitas, se tivermos cuidado a olhar para elas com atenção. Não precisam de ser viçosas, com toque de seda e de cores exóticas como as que ele estava habituado a ver nas floristas. Mas desistiu. Já estava embrenhado de novo na televisão. Entreteu-se a atar os pés das flores e proteger os pés com papel húmido para que se aguentassem até chegarem a Lisboa.
Estava na hora do café. Aqueceu a chávena no micro-ondas e foi bebê-la lá para fora, sentada na sua cadeira. Agora o azul do céu começava a desvendar-se cada vez mais e o dia abria-se, despedindo-se das nuvens. Teve vontade de seguir o seu impulso, vestir-se depressa e partir para a praia. Mas deixou-se ficar quando começou a ouvir grunhidos de gente que se espreguiçava, portas que se abriam e fechavam e barulhos na cozinha de cereais despejados nas taças. A casa finalmente acordava.

As canções preferidas

São tantas, tantas...Mas esta tem-me acompanhado desde sempre.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Pedras no caminho?

(foto Maramar)


Vou construir um castelo....

domingo, 3 de junho de 2007

Have a little faith ...

Histórias à beira-mar

«O mar é azul...» desafia o meu filho mais novo.
Sentados à beira-mar, num daqueles dias esplendorosos de verão em que só apetece mesmo estar ali, naquele sítio, sentir a areia que nos acolhe no colo e depois mergulhar naquele mundo fresco e fervilhante que nos convida a abraçá-lo.
«Mãe, o mar é azul...» insiste, encosta-se a mim, e espera...Quer ouvir de novo a história das cores do mar.
Não, o mar não é azul, é muito mais do que azul! Antes de mais, o mar é transparente. Quando chegamos mesmo à beirinha para molhar os pés, conseguimos vê-los à transparência. Assim como a água que ele vai buscar com o balde para fazer os castelos. E tudo o que é transparente brilha quando lhe reflectimos a luz. Como o vidro ou o gelo. O mar também brilha, parece um enorme espelho quando o sol começa a descer e a fechar o dia, ao fim da tarde.
Mas de manhã muito cedo, quando o dia nasce, o mar encontra todos os tons de verde. Desde o mais claro ao mais escuro, à medida que vamos alargando o olhar até ao horizonte. Aí ele guarda sempre uma faixa mais escura, de um cinzento azulado, como se estivesse triste por se despedir de nós, porque deixamos de o alcançar. Só quando o dia começa a subir o mar encontra os azuis. O sol já vai no alto e o mar alarga a palete de cores sempre que as ondas dele se levantam, primeiro devagar, azuladas e preguiçosas. No início parecem cansadas, movimentam-se lentas e arrastadas. Quando começam a engordar mais à frente, é como se fizessem entre elas um campeonato, para ver qual delas chega mais alto, e esticam-se, esticam-se até não poderem mais, em tons de verde claro, mais claro, ainda mais claro, enquanto sobem mais alto..., mais..., mais ainda! E quando já não conseguem aguentar mais, rebentam e desfazem-se numa enorme espuma branca, brilhante, vigorosa. E o mar fica branco, fervilhante de vida e movimento.
E de noite...De noite o mar é negro, grandioso, misterioso. Envoltos no silêncio da noite, podemos imaginar a ondulação porque se ouvem bem as canções das ondas, o seu resfolhar contínuo, incansável, continuamente em movimento. Se a noite for de lua cheia, então sim, podemos ver aquela faixa de espuma branca rebentada, que o luar faz brilhar, contrastanto com aquele negro imensurável.
O mar não é azul. O mar tem em si todas as cores.

sábado, 2 de junho de 2007

If I could!

Send in the Clowns

E que dupla!


sexta-feira, 1 de junho de 2007

24 horas


(foto Maramar)
São horas percorridas de um dia,
Cada passo da tua vida,
Cada minuto do teu tempo formatado.
Tempo corrido, esgalhado,
Desenfreado, estafado, nunca atrasado,
No teu relógio cumprido

O teu tempo é veloz,
O teu dia timbrado,
Na feição da tua agenda.
Não tens tempo, tens de correr,
E o teu sentir fica guardado,
Para mais tarde calado.

Pára.
Amolece o teu tempo,
Preguiça no teu minuto,
E não o guardes para depois.
Pára e experimenta cada segundo,
Porque o tempo não volta,
De nada te serve se adiado

Pára.
Na volta dos ponteiros
Do teu relógio arrebatado,
E sente a luz do dia que começa.
Que é já. Agora.
Sossega, Ouve, Respira fundo.
Anima para a cor do teu dia,
Ouve os passos que andam por perto,
E de alma aberta,
sente o pulsar em teu redor.

E Ama, Ri, Abraça, Canta!
e comunga a partilha
do sonho do teu segundo!
Larga a armadura que te prende
E solta a tua luz, confia! ...

E celebra a tua vida,
Que em cada dia renascer
Do teu permanecer!