quarta-feira, 30 de maio de 2007

Senta-te aqui

Senta-te aqui ao meu lado. Não, aí não. Aqui, mesmo à minha frente, para eu te poder ler os olhos. Isso, aqui mesmo ao meu lado. Porque eu consigo ler-te os olhos. E conta-me histórias. Sim..., histórias! Despeja as palavras da tua boca hirta pelo desgaste do dia e solta o que elas te sussurram, o que elas te contam, conta-me as suas histórias. Histórias do teu dia, das tuas horas, do teu tempo. As tuas aventuras, os teus sonhos e desejos. Histórias dos teus encontros e desencontros, foram muitos hoje? Que rostos passaram por ti? Que cores viste hoje? Sentiste o vento logo cedo pela manhã? Eu senti. Era frio e fez-me encolher por baixo do casaco. Mas depois ouvi o cantar de um melro a anunciar o dia e senti a cor da jornada que nascia, aquela luz líquida, que tudo contornava, que escorria por todo o lado e tudo invadia. E deixei de ter frio.
Conta-me histórias....anda, não as guardes para ti. Olha para mim. Isso, bem nos meus olhos. O que vês?Eu vejo tanta coisa! São tão bonitos os teus olhos! Já pensaste bem o que se pode ver no olhar dos outros? Eles não mentem. Podemos disfarçar, fazer o que quisermos para desviar o olhar, escondê-lo, mas ele nunca mente. Abre-os bem abertos, deixa-os estar assim, bem abertos para o que podes ver, já que não podes saber até onde podes olhar. Mas deixa-os abertos. E através deles, solta as palavras e vai-me contando histórias, do que vêem, do que viram, do que sonham em ver e do que já não querem ver mais.
Vá, conta-me as tuas histórias.....

1 comentário:

Anónimo disse...

Tia:
não sabia de todo da sua veia para a escrita!Escreve muito bem!Continue inspirada e a inspirar-nos!
Bjocas
Tita