Eu e o meu filho mais novo inventámos um jogo.
Para aqueles dias cinzentos, mesmo que o sol brilhe com toda a força. Para aqueles dias em que nada nos parece claro, porque está escondido num grande nevoeiro e não conseguimos ver o que está por trás, está tudo muito escuro, estamos desalentados com o dia, com o que ele nos trouxe ou nos mostrou.
Porque há dias assim. Como quando a equipa dele perdeu no torneio de futebol, ou quando o melhor amigo não quis brincar, ou quando não conseguiu fazer o raio daquela conta de dividir e ficou a trabalhar na sala de aula à hora em que todos os amigos brincavam no recreio. Para os dias em que nos sentimos pequeninos, em que nos faltou o ânimo, ou nos deram um pontapé, não há nada melhor do que este jogo!
É um jogo muito simples, que recomendo a todos os que por vezes sentem o ânimo em baixo, lá mesmo no fundo. Quando precisam de levantar a cabeça e pensar no melhor que a vida nos traz.
É o Jogo dos Preferidos. Muito fácil e estimulante!
É só pensar, num despique a dois, (mas que pode ser feito com muitos ou sozinhos) e que pode não ter fim, que se transforma numa grande lengalenga e nos vai abrindo a alma.
Começa sempre com a mesma pergunta: "Qual é o seu lugar preferido?"
E o lugar vai variando conforme o dia. Num dia é a cama quentinha no inverno, noutro dia é um jardim, noutro é a praia, noutro o colo da mãe. É conforme o estado de alma, ou a descoberta de novos lugares que a vida lhe vai mostrando. E sabe tão bem pensar no nosso lugar preferido!
O meu é sempre ao pé do mar. Ele já sabe a minha resposta a essa pergunta. É sempre o pé do mar. Por isso passamos para outra pergunta: "Qual é a sua cor favorita?"
E esta também vai mudando conforme o dia. Nuns dias é o verde, como o da relva, noutros é o azul, como o do céu, noutros é o branco, como o da luz. Depois vem a palavra preferida, o número preferido, a estação do ano, o animal, a flor, o filme...livro.... amigo...cheiro...sabor...bebida...
Vale tudo! Só não vale responder “porque sim”. É preciso explicar porquê. Dizer se é preferido sempre, ou só naquele dia. Mas sobretudo explicar porquê. Porque gosta da luz, que é branca e ilumina, porque gosta do verde que é a cor da relva onde pode correr e jogar futebol, ou espreguiçar-se nela e olhar para o céu...
E o jogo pode arrastar-se por muito tempo, até que acabamos por ficar contentes por dentro. E esquecem-se os pontapés, a hora do recreio que perdemos, o amigo que nos desiludiu. Só de pensar nas coisas preferidas da vida!
Experimentem!
E lanço aqui um desafio: Qual é a vossa palavra preferida?