quinta-feira, 31 de maio de 2007

Parabéns a uma flor do meu jardim!

(foto Maramar)
Com ternura eu sorri
Em cumplicidade tu sorriste,
No momento certo ele sorriu
E de alma aberta vamos sorrir

Tudo o que cabe num sorriso
Não se ensina, nem se explica
Rasgado no rosto confiante
Chega aos olhos num instante!

Chega de rostos cinzentos por aí!
Basta de sirenes florescentes por aqui!
Vamos acertar o tom por acolá!
E sorrir às cores que ficaram por cá!


quarta-feira, 30 de maio de 2007

Senta-te aqui

Senta-te aqui ao meu lado. Não, aí não. Aqui, mesmo à minha frente, para eu te poder ler os olhos. Isso, aqui mesmo ao meu lado. Porque eu consigo ler-te os olhos. E conta-me histórias. Sim..., histórias! Despeja as palavras da tua boca hirta pelo desgaste do dia e solta o que elas te sussurram, o que elas te contam, conta-me as suas histórias. Histórias do teu dia, das tuas horas, do teu tempo. As tuas aventuras, os teus sonhos e desejos. Histórias dos teus encontros e desencontros, foram muitos hoje? Que rostos passaram por ti? Que cores viste hoje? Sentiste o vento logo cedo pela manhã? Eu senti. Era frio e fez-me encolher por baixo do casaco. Mas depois ouvi o cantar de um melro a anunciar o dia e senti a cor da jornada que nascia, aquela luz líquida, que tudo contornava, que escorria por todo o lado e tudo invadia. E deixei de ter frio.
Conta-me histórias....anda, não as guardes para ti. Olha para mim. Isso, bem nos meus olhos. O que vês?Eu vejo tanta coisa! São tão bonitos os teus olhos! Já pensaste bem o que se pode ver no olhar dos outros? Eles não mentem. Podemos disfarçar, fazer o que quisermos para desviar o olhar, escondê-lo, mas ele nunca mente. Abre-os bem abertos, deixa-os estar assim, bem abertos para o que podes ver, já que não podes saber até onde podes olhar. Mas deixa-os abertos. E através deles, solta as palavras e vai-me contando histórias, do que vêem, do que viram, do que sonham em ver e do que já não querem ver mais.
Vá, conta-me as tuas histórias.....

terça-feira, 29 de maio de 2007

Dia Mundial da Energia.Por cá as coisas funcionam assim....

Somos diariamente confrontados com os efeitos que provocamos pelo constante e inadequado aumento de consumo das energias não renováveis. O "efeito de estufa”, “aquecimento global”, fazem parte do nosso vocabulário, e ainda bem.
Todos sabemos da importância e vantagem das inesgotáveis energias renováveis, somos diariamente alertados para o consumo moderado de energia, os programas escolares do 1º ciclo já abordam estas temáticas, tão importantes no mundo actual e que urge dinamizar e explorar.
É urgente consciencializar a humanidade para a importância desta questão que nos aflige a todos e à futuras gerações. Foram dados os primeiros passos para o alerta. Mas há tanto ainda por fazer...


Hoje é o dia mundial da energia.
Por acaso também foi dia de eu voltar ao balcão da EDP para pagar uma conta. Já lá tinha estado na véspera, mas faltavam ainda acertar mais contas.
Chego logo de manhã, antes de entrar ao serviço, o relógio dá as horas e a fila continua na mesma: parada. A menina da caixa, de unha pintada de roxo, semblante pardo e mal disposto, brada em voz alta e esganiçada. A impressora não funciona. Não tem trocos para dar porque o colega ainda não chegou do banco. E parece que a culpa é nossa, porque a fila continua na mesma. Quando finalmente chega a minha vez, cumpro a minha parte do contrato. E qual não é o meu espanto, oferecem-me uma lâmpada economizadora. Mas antes perguntam se posso responder a um inquérito.
Uma outra menina de balcão, que certamente terá frequentado daqueles mini-cursos de front-office, esboça um sorriso vítreo, daqueles que não chegam aos olhos, e fala em tom de voz flautado: «São só uns segundos, porque é dia mundial da energia». Está bem, já que estou atrasada, mais uns segundos não fariam grande diferença e acato o meu dever de cidadã consciente. Mas o inquérito nunca mais acaba. Só falta perguntar o que tinha comido ao pequeno almoço. Já irritada com tanta pergunta fora do contexto, quero saber qual a finalidade. Responde-me a menina treinada: «Não sabemos. Só estamos aqui para fazer as perguntas...»

A direcção certa

(foto Maramar)



O relógio bate o ponto
No pulso apressado dos dias
Avança em passo adiantado
Não se comove com arrelias

Sempre certo, marca o passo
E lá vamos em correria
O nosso tempo trespassado
No seu ponteiro afiado

O engano é sempre o mesmo
A aventura o reconhecimento
Que cada passo que nós damos
Não tem relógio nem tempo

A direcção certa da vida
É o que temos de acertar
Ajustar os ponteiros da bússola
E deixar o relógio dormitar

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Sonho


Em ondas frescas que me embalem
E me tragam novas do horizonte
Para lá do risco de me limita
Onde o desconhecido me espera

Na cor da semente de rasga a terra
Quando em flor brotar o seu encanto
Do caminho suado e rasgado em dor
Em luz brilhar o seu esplendor

Que os olhos que vivem com os meus
A mim entreguem a sua cor
E os nossos tons se misturarem
Numa só cor que encontrarem

domingo, 27 de maio de 2007

Do alto de Lisboa





O espectáculo era digno de ver. Aqui fica o registo da cascata que iluminou o tejo ontem à noite. Vista de um sítio privilegiado, para o qual só tive que subir um andar...








sábado, 26 de maio de 2007

quinta-feira, 24 de maio de 2007

True colors




You with the sad eyes
Don't be discouraged
Oh I realize
It's hard to take courage
In a world full of people
You can lose sight of it all
And the darkness, inside you
Can make you feel so small

But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow

Show me a smile then,
Don't be unhappy, can't remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you've taken all you can bear
You call me up
Because you know I'll be there

And I'll see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow

So sad eyes
Discouraged now
Realize

When this world makes you crazy
And you've taken all you can bear
You call me up
Because you know I'll be there

And I'll see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors, true colors

Cos there's a shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors, true colors
True colors are beautiful,
Beautiful, like a rainbow

terça-feira, 22 de maio de 2007

Lendas da estrada


Era um traço branco impresso no alcatrão da estrada, estampado, formatado. Circunscrito à forma que lhe fora imposta, separado dos semelhantes que, iguais a ele e alinhados, nasceram para sofrer a mesma condição. A única coisa que o separava dos outros traços era o intervalo negro do alcatrão. Limitado, nasceu para limitar e sofrer em agonia o desgaste das estradas, das avenidas, dos caminhos dos atropelos. Calcado, atropelado, preso ao seu destino.

Do sofrimento e amargura carimbada, o calvário rebenta-lhe novas formas, liberta-o da linha abreviada que o destino lhe traçou, e vencido o passado, ainda escancarado no alcatrão, vai-nos contando histórias mitológicas, inventadas pelo tempo.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Van

Para quem gosta...desta vez vai uma que está no meu disco....the man himself!!



disfrutem!

Sonhos diferentes

(foto Maramar)






Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.
Ricardo Reis

domingo, 20 de maio de 2007

Digam o que disserem...


Portugal continua VERDE...

(fotos Maramar)











Urgentemente


É urgente o amor
É urgente um barco no
mar

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas

É urgente inventar alegria
multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras

Cai o silêncio nos ombros
e a luz impura até doer
É urgente o amor,
É urgente permanecer


Eugénio de Andrade






sábado, 19 de maio de 2007

Into the Mystic

Nova escapadela ao mar para recuperar energias. O mar é tudo!

O sol começa a saber a verão e por isso o areal enche-se de gente. Já foi preciso procurar um sítio para estender a toalha.À medida que a tarde avançava, cresciam os para-ventos e tendas de campismo para o reguardo do vento que levantava.Bolas, raquetes, e tijolos portáteis que gritavam em altos berros música pimba. Os telemóveis tocavam permanentemente.
Acabou-se o sossego...os infindáveis caminhos de areia...
O que me valeu hoje, para além do mar, que ondulava fervilhante de vitalidade, foi o Van Morrison, numa selecção sublime e exclusiva, que me afastou deste desassossego, através dos meus head-phones.


Ao Pedro pela selecção das canções e ao Duarte pela composição, dedico esta tarde, que me soube muito bem.

O prazer de ler

Vivo rodeada de livros. De todos os géneros, mas sobretudo poesia. Desde muito cedo virada para o universo do papel, letras, histórias e idéias... Herança do meu pai certamente, que descobri já adulta, quando já acamado e doente, me pedia para lhe ler poesia.
Tenho sempre vários em mãos, inacabados. Porque pego neles conforme o estado de espírito. Ando sempre com um na carteira, à espera de uma pausa durante o dia para lhe poder pegar. Nem sempre consigo, mas transporto-o na carteira na mesma. Faz-me companhia. Nunca se sabe, quando se sai de casa de manhã para a fúria e correria do dia, se aquela merecida pausa não poderá surgir. Sempre que esse milagre acontece, agarro logo nele. Os meus livros espalham-se pela casa, em pilhas diversas, à espera de eu ter uns minutos para passar os olhos por eles. Na mesa de cabeceira a pilha vai aumentando. A minha fada do lar, certamente espantada com tanto livro que se vai amontoando ao lado da minha almofada, arruma-os nas estantes. Para os encontrar no mesmo sítio quando cá volta. Já desistiu, e percebeu que é mesmo assim. São para lá estar ao pé de mim.

Acabei um ontem. Delicioso!



Relógio d’Água, 2006


«e havia qualquer coisa no silêncio. rose gostava do silêncio e de alguma música, de sons de animais, do som da água. estava perto do mar, e perguntou a si mesma se aquele caminho terminaria no mar, todos os caminhos acabam no mar, ou pelo menos o meu acaba, sempre o soube, como um barco ou uma gaivota»

sexta-feira, 18 de maio de 2007

O Jogo dos Preferidos

Eu e o meu filho mais novo inventámos um jogo.
Para aqueles dias cinzentos, mesmo que o sol brilhe com toda a força. Para aqueles dias em que nada nos parece claro, porque está escondido num grande nevoeiro e não conseguimos ver o que está por trás, está tudo muito escuro, estamos desalentados com o dia, com o que ele nos trouxe ou nos mostrou.
Porque há dias assim. Como quando a equipa dele perdeu no torneio de futebol, ou quando o melhor amigo não quis brincar, ou quando não conseguiu fazer o raio daquela conta de dividir e ficou a trabalhar na sala de aula à hora em que todos os amigos brincavam no recreio. Para os dias em que nos sentimos pequeninos, em que nos faltou o ânimo, ou nos deram um pontapé, não há nada melhor do que este jogo!
É um jogo muito simples, que recomendo a todos os que por vezes sentem o ânimo em baixo, lá mesmo no fundo. Quando precisam de levantar a cabeça e pensar no melhor que a vida nos traz.
É o Jogo dos Preferidos. Muito fácil e estimulante!
É só pensar, num despique a dois, (mas que pode ser feito com muitos ou sozinhos) e que pode não ter fim, que se transforma numa grande lengalenga e nos vai abrindo a alma.
Começa sempre com a mesma pergunta: "Qual é o seu lugar preferido?"
E o lugar vai variando conforme o dia. Num dia é a cama quentinha no inverno, noutro dia é um jardim, noutro é a praia, noutro o colo da mãe. É conforme o estado de alma, ou a descoberta de novos lugares que a vida lhe vai mostrando. E sabe tão bem pensar no nosso lugar preferido!
O meu é sempre ao pé do mar. Ele já sabe a minha resposta a essa pergunta. É sempre o pé do mar. Por isso passamos para outra pergunta: "Qual é a sua cor favorita?"
E esta também vai mudando conforme o dia. Nuns dias é o verde, como o da relva, noutros é o azul, como o do céu, noutros é o branco, como o da luz. Depois vem a palavra preferida, o número preferido, a estação do ano, o animal, a flor, o filme...livro.... amigo...cheiro...sabor...bebida...
Vale tudo! Só não vale responder “porque sim”. É preciso explicar porquê. Dizer se é preferido sempre, ou só naquele dia. Mas sobretudo explicar porquê. Porque gosta da luz, que é branca e ilumina, porque gosta do verde que é a cor da relva onde pode correr e jogar futebol, ou espreguiçar-se nela e olhar para o céu...
E o jogo pode arrastar-se por muito tempo, até que acabamos por ficar contentes por dentro. E esquecem-se os pontapés, a hora do recreio que perdemos, o amigo que nos desiludiu. Só de pensar nas coisas preferidas da vida!
Experimentem!
E lanço aqui um desafio: Qual é a vossa palavra preferida?

e outros assado...

porque há dias assim...

(foto Maramar)

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Mimos em capicua

Foram muitos, vindos de todo o lado.
Primeiro a manhã, amena e cheia de brilho. O prenúncio daqueles dias brilhantes de sol que eu gosto tanto. Depois os mimos dos meus, que acordaram para o dia murmurando sonolentos: Muitos parabéns......
Mais tarde e durante todo o dia a presença de tanta gente, que me foi desejando "o melhor da vida", "porque foi bom ter nascido e estar ao pé de nós", "com muito carinho". Uma visita inesperada e despejada de ternura....
Enchi-me de Graça, e fui mais uma vez abençoada neste dia. Como aquela tarde que passei ao pé do mar....

...e já no fim do dia, o calor de uma mesa esbanjada de carinho e presença. Que fome que eu tinha desta mesa, deste estar!
Um dia que guardarei muito perto de mim, como um dos presentes que recebi e me murmurou:

Como o rumor do mar dentro de um búzio
o divino sussurra no universo
Algo emerge: primordial projecto

Eu regressarei ao poema como à pátria à casa
Como à antiga infância que perdi por descuido
Para buscar obstinada a substância de tudo
E gritar de paixão sob mil luzes acesas
Sophia de MB

O Mar!




Depois de algum tempo vivido na escuridão, perdida, desencontrada, e enrolada num casulo onde o desalento e a amargura me enfiou, eis que começo lentamente, muito lentamente a ver uma luz. A luz da minha vida reencontrada, escancarada na minha frente, sopro de esperança, espantada de uma nova energia. Foi numa tarde junto ao mar...quando ele sorriu para mim!
Não importa o que o passado fez de mim. Importa é o que farei com o que o passado fez de mim.
(autor desconhecido)

quarta-feira, 16 de maio de 2007

A primeira nota

Obsessivamente teimar
Indispensável acreditar
Jamais fraquejar e desistir
Imprescindível insistir

No sentir do peito desapertado,
No olhar limpo e desabotoado,
No afago doce e confiado,
No afecto em gesto escancarado!

Sem assegurar assim a vida,
Perde o sentido a caminhada.
Pasta em desamor
Cobarde e escondido.
Murcha e seca,
Adormece amargurada.

Porquê capicua?

Porque hoje faço anos, porque é ano de capicua e porque gosto viver e fazer anos.
E de escrever notas. Soltas, despejadas, desvairadas, asneiras que escrevo em papéis soltos e desordenados. Escrever liberta, despeja a alma, solta o pensamento, ajuda olhar para dentro e soltar para fora o que somos. E faz bem escrever. Por isso entro nesta aventura. A medo, devagarinho, sem pressa.

A quem também faz anos hoje, um grande abraço.